© 2019 - Cerveja de Graça para todos nós por favor

  • Facebook!
  • Instagram!
  • Bernardo Couto

Soneto do Beer Influencer

Certo dia, um alto funcionário da Ambev falou numa entrevista algo tipo assim "a cerveja artesanal só cresceu tanto por conta das redes sociais". Ah, sei lá quem falou, dá um google aí e vê se acha. Hoje em dia o cara é o XPTO (se fala Xis Pê Tê Ou) de uma multinacional que vende suco de #dragonfruit em Laos em latinhas coloridas e cheias de storytelling, ou virou empreendedor de palco. Essas caras mudam de emprego mais do que linha de NEIPA muda de lúpulo.


Mas, a parada é essa, doa a quem doer: o mercado só é deste tamanho por conta das redes sociais. Não tem mimimi nem chororô, é isso.



Pensa assim, você vai lá e abre sua cervejaria artesanal em 1992 com o dinheiro do FGTS de ex-prestador de serviço da Petrobrás mais a grana que papai emprestou e aí pan! Você coloca um anúncio no Jornal Nacional falando que vai lançar sua Juicy IPA no EAP na segunda à noite. Aí, quando você lança a Pastry Stout sabor chandelle, vai lá e coloca na capa do Estadão: "Baunilha, Coco, Lactose, Avelã, Pistache, Cacau, Café, Aveia, Canela, Cardamomo... Vem aí a Chanderella, a delícia cremosa"


Até eu ia ver TV se rolasse propaganda assim! Mas, hoje em dia, não precisa sair no intervalo do Brasileirão para ser gente. Dá pra botar 50 merréis ali no anúncio do face e já é. Nasceu a marca e tem gente indo lá para provar. Hoje, você não precisa de milhões para se comunicar. Agradeça!


Blogueiro nem é gente!

"Ah mas eu tou lendo até aqui esperando você falar mal de blogueiro por que blogueiro nem é gente". Cara, eu sou blogueiro né. Vou defender meu povo!


Blogueiro é tão foda que hoje em dia nem tem mais blog. É insta stories e vamo que vamo! Eu que sou velho e fiz um blog mesmo.


O jornalismo vai sempre existir. A forma dele se comunicar, mais conhecida como mídia, é que vai sempre mudar. Aceita que dói menos. Jornal vai acabar, TV vai acabar. Do jeito que conhecemos? Vai acabar sim! É cada vez mais pulverizado, mais direto no seus córnios só o que te interessa. Sabe aquele anúncio da Sanitas com musiquinha "dedetização, baratas e cupins, ligue Sanitas"? Ou da revista "só funk é o maior barato"? Se você não ouve funk ou não está buscando serviço de dedetização você nunca mais vai ver na vida, a não ser que se torne viral. Acabou.


E é aí que entram os blogueiros de cerveja, ou de qualquer coisa. Ele vai falar direto com o cara que se interessa pelo assunto. Ele vai falar direto com você, funkeiro evangélico comunista que não come criancinha. O nicho.


Quer saber dos lançamentos? Segue uma galera no instagram e vai que vai. Ou então, no modo antigo: trocando ideia na mesa do bar. Esse aí nunca morre e é que nem zap zap da família. É divertido, acolhedor, tem hora que dá uma azedada e quase dá porrada. Ah, e uma boa parte é só fake news mesmo.


"Ah mas esses caras só estão ali para ganhar brindes e coisas do gênero". É um trabalho, consome bastante tempo. Se não dá dinheiro, pelo menos paga uns comes e bebes.


"Ah mas esses caras não entendem nada". Ué, faz melhor. Tá achando ruim? Mete as cara. Cria seu blog, seu insta, perde horas e horas da vida tirando foto, escrevendo, fazendo live, respondendo, aumentando a base, e vai lá você beber de graça também! Vai na meritocracia :P


"Ah mas eu critico só os blogueiros de cerveja que ficam pedindo coisa de graça". Eu ouço "parceria" no inbox do cara que criou a conta ontem e já me arrepia os pelos tudo. É tenso, dói na espinha. Dá aquela vergonha alheia. Mas, não dá para ficar só batendo e criticando. Tem gente bacana e compromissada. E tem gente que quer se dar bem e não dar nada em troca. A esses últimos, o esquecimento. Aos primeiros, eles são a nova Rede Globo, Estadão, Folha e o escambau e vão cada vez mais ter importância.


Sou do tempo quando os influencers eram as socialites, os formadores de opinião, os artistas... Sempre teve alguém, sempre vai ter.


Quando você escolhe onde busca informação, vocês está escolhendo quem sobe e quem desce. Quem é mais relevante e quem não precisa estar ali. O melhor que você pode fazer é valorizar quem faz um conteúdo bacana, que você gosta.


O que digo aos blogueiros? Vamos criar conteúdo, comunicar de fato. Cri-ar, não só re-pli-car. Educar, entreter e informar. E criticar também, se quiser. Os consumidores, os produtores, os donos de bar, os blogueiros. Por isso, eu fiz meu blog. Meu insta é pobrinho e nem tem foto de lata de NEIPA de 50 conto. Mas... tem textão!


ps 1. bora ficar menos tempo nas redes sociais. Olhar menos para a janela do navegador e mais para o janela de casa. #pás


ps 2. certeza que o cara do primeiro parágrafo virou #coach ou #boostermaker


573 visualizações2 comentários